O barato sai caro parte 24

Embora o último episódio do nosso seriado "O barato sai caro" tenha mostrado as proezas de um "técnico" que prestou manutenção no computador de um amigo, vamos mostrar agora as proezas de um profissional de uma loja aqui em Belo Horizonte que prestou no computador de um cliente.

Primeiramente foi a escolha equivocada da fonte de alimentação, o qual possui 900 watts de potência para alimentar um computador com Core i7 4770, uma R9 270 com um HD, DVD-RW e 32GB de RAM. Além do CPU e GPU serem de uma geração anterior, o gabinete também é antigo, o qual ainda aloja a fonte na parte superior, inserindo nela mesma o "ar viciado" do sistema.

o barato sai caro

Observem também que não houve gerenciamento de cabo algum dentro deste computador. Isso deixa o computador internamente feio, pode ocasionar acidentes físicos e atrapalha a circulação de ar interna, o que provoca um aquecimento um pouco maior dos componentes. Além disso, o peso dos cabos sobre a placa de vídeo acabou empenando o PCB dela.

O primeiro slot PCI-Express da placa mãe possui largura de x16, o que atende às demandas das placas de vídeo de alta performance, os demais slots PCI-E operam a x8, que são utilizadas para outros tipos de placas ou para fazer um SLI ou Crossfire. Ao invés do "técnico" desta empresa encaixar a placa de vídeo R9 270 no primeiro slot PCi-E x16, conectou no segundo slot PCI-E x8, limitando a performance gráfica 3D.

GT-USB3

O conector USB3.0 possui velocidade teórica de até 5Gbps, 10 vezes mais rápida do que o seu antecessor, que possui velocidade de 480Mbps. Apesar do gabinete ser antigo, possui o conector USB3.0 frontal, mas o "técnico" desta empresa não utilizou este conector na placa mãe Asus Z97M-Plus, que também possui este conector conforme a imagem abaixo:

GT-ConectorUSB3

Alguns pontos de fixação não foram utilizados para firmar a placa mãe no gabinete e o espelho traseiro, que dá um acabamento aos conectores traseiros da placa mãe, teve detalhe do conector RJ45 encaixado de forma errada, o que impede a conexão de qualquer cabo neste conector e colocando em risco um curto neste ponto.

GT-RJ45

Pasmem! Não acabou ainda, foi esquecida uma presilha de cabos dentro do gabinete, que poderia cair sobre qualquer componente da placa mãe, sobre as ventoinhas de placa de vídeo, gabinete ou até no cooler do processador. Isso poderia ocasionar num curto circuito ou numa quebra de pás das ventoinhas.

GT-presilha

Nenhuma ventoinha ajudando a inserir o ar frio na parte inferior do gabinete foi colocada, o que poderia ajudar bastante na refrigeração do computador (embora não seja a reclamação do cliente). O SSD, um importante componente na performance do computador também não foi incluído nesta configuração.

O resultado desta compra, foi que se gastou mais dinheiro para se obter a mesma performance e os riscos de um defeito dentro ou fora de garantia aumentaram bastante.

O conhecimento técnico é fundamental para se obter uma excelência na compra, atendimento e nos serviços. Isso vale tanto para as empresas, quanto para os técnicos e clientes.

2 thoughts on “O barato sai caro parte 24

  1. Alexandre V Veado

    Aqui, prevalece a ideia: existem mil e uma maneiras de se montar "seu Neston", o que é totalmente errônea. Existe uma ordem na montagem e, naturalmente, um estudo preliminar daquilo que se quer usufruir. O exemplo diz tudo!
    Mas o que realmente nos estarrece é a atitude dos fornecedores de componentes escolherem locais errados para alojar suas ditas etiquetas de garantia.
    Não foi uma nem duas vezes, que já deparei com etiquetas coladas no encapsulamento metálico de processadores centrais, e que ainda nos informam não retirá-las, com pena de perder a garantia...
    Brincadeira!
    Anotem o número de série (SN) do componente, guarde-o numa planilha eletrônica e o informe ao cliente.
    Observem os bancos de memória, com suas ridículas etiquetas... Isto aquece e "meleca" tudo, causando deltas de temperaturas diferentes.
    No caso dos micro-processadores, a primeira providência é retirá-las e remover todo vestígio de cola que por lá insistam em permanecer, para depois espalhar uma fina camada de pasta térmica, a qual propiciará uma melhor transferência de calor, em contato com o dissipador. Sua finalidade é remover toda bolha de ar que possa alojar nas superfícies e tornar o processador/dissipador um só corpo.

    Reply

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *